A Europa “está em guerra” e precisa de reforçar a sua capacidade de dissuasão “para manter a paz”, defendeu esta sexta-feira o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, durante um debate/podcast promovido pela ADRAL, através do Europe Direct Alto Alentejo e Alentejo Central, com apoio da CIMAC, integrado nas comemorações do Dia da Europa.
A iniciativa, subordinada ao tema “Estará a Europa em Guerra?”, decorreu no Café Arcada e contou também com as participações de José Milhazes, João Grilo, Beatriz Ferreira e Elsa Vaz.
Na sua intervenção, Carlos Zorrinho sustentou que a Europa “nunca deixou de estar em guerra”, apontando diferentes dimensões do conflito atual, desde a defesa da liberdade e da soberania dos povos, exemplificada pela situação na Ucrânia, até aos desafios ligados à transição energética, à transformação digital, ao multilateralismo e à preservação cultural.
O autarca considerou que a Europa continua, contudo, a representar “terra de refúgio”, “memória e identidade” e “diversidade”, assumindo-se como guardiã “dos dois valores mais importantes que alguém pode ter: a paz e a liberdade”. “Seria cobarde não lutar pela Europa”, afirmou, defendendo ainda o reforço da capacidade de dissuasão europeia nos planos militar, conceptual e económico.
Sobre a possibilidade de criação de um exército europeu e do aumento do investimento em defesa, o presidente da Câmara de Évora defendeu uma “União de Defesa pela Paz”, baseada numa gestão estratégica integrada dos recursos e num investimento “dual”, capaz de desenvolver capacidades tecnológicas e, simultaneamente, apoiar o modelo europeu de desenvolvimento sustentável.
O debate integrou as comemorações do Dia da Europa, celebrado anualmente a 9 de maio, em memória da Declaração Schuman, apresentada em 1950 pelo então ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Robert Schuman, considerada o ponto de partida da construção europeia. Em 2026 assinalam-se também os 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à União Europeia.
Fonte/Foto: CM Évora