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A Voz de Évora

2026/04/21

UEvora e CRI AC assinam Protocolo e Acordo Específico de Cooperação

Concelho

O Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central (CRI AC) realizou, no dia 16 de abril, no Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, em Évora, o VI Encontro do CRI AC, que assinalou os 30 anos de intervenção deste Centro no território, sob o tema “Maturidade, crise ou reinvenção? As crises da meia-idade… A intervenção em comportamentos de risco”. Após a sessão de abertura foi assinado um Protocolo de Cooperação entre o Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências, I.P. (ICAD, IP), representado pela Presidente do Conselho Diretivo, Joana Guerra, e a Universidade de Évora (UÉvora), representada pelo Vice-Reitor para as Infraestruturas e Políticas para a Vida na Universidade, João Nabais. 

Já no âmbito deste Protocolo de Cooperação e na mesma ocasião, foi logo assinado um Acordo Específico de Cooperação entre a UÉvora e o CRI AC, representado por Paulo de Jesus, o qual visa estabelecer relações de cooperação e de intercâmbio entre a Universidade de Évora e o ICAD/Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central, no âmbito do desenvolvimento de projetos de promoção da saúde de toda a comunidade académica (trabalhadores e estudantes), segurança dos locais de trabalho e académicos, prevenção, capacitação, avaliação, investigação e intervenção nos comportamentos aditivos e dependências (CAD), adequados aos desafios que o contexto universitário coloca.

As áreas prioritárias protocoladas são: a promoção do bem-estar académico e saúde mental; a prevenção do consumo de substâncias psicoativas e de comportamentos aditivos sem substância (jogo, tecnologias, gaming, gambling, redes sociais); a promoção da saúde e prevenção da desinserção em contexto laboral; a intervenção precoce, referenciação e acompanhamento especializado; a redução de riscos e minimização de danos em contextos académicos; e a monitorização e investigação aplicada, com enfoque no funcionamento do Observatório Regional dos Consumos.

Para o Vice-Reitor da UÉvora para as Infraestruturas e Políticas para a Vida na Universidade, “este protocolo de cooperação, no fundo, dá um enquadramento genérico àquilo que já existe há muitos anos atrás e que nós perspectivamos para a frente com uma colaboração cada vez mais intensa e mais profícua. O ICAD e o CRI já colaboram connosco há muito tempo na área da adição, ou seja, na prevenção das adições”, recorda João Nabais, adiantando que “no âmbito do VagarMente, no Programa de Saúde Mental da UÉvora, nos próximos dois meses, serão promovidos alguns seminários dedicados à saúde mental e à adição e também farão workshops e iniciativas direcionadas aos funcionários relativamente à prevenção da adição”.

Já Paulo de Jesus, do CRI AC, recordou que “há alguns anos tínhamos um protocolo formalizado com a Universidade, contudo, com os desafios que foram surgindo, ficou curto face à dimensão das nossas articulações. Portanto, houve a necessidade de agora estabelecer este Protocolo de Cooperação. Neste sentido, queremos expressar o nosso muito obrigado à Universidade”, agradeceu, acrescentando que “costumo dizer que é impossível não trabalhar com a Universidade. É uma academia única a nível nacional, implantada num território que precisa a toda a hora a produção de conhecimento e de saber”.

“O desafio nesta área da saúde é muito particular. Nós precisamos de ter uma academia que esteja connosco, para que possamos ir acompanhando os fenómenos dos comportamentos de risco e das dependências. E, portanto, a academia, desde o primeiro momento, disse sim, um sim convicto e seguro”, revelou o responsável pelo CRI AC.

O VI Encontro do CRI AC foi um momento de celebração, de reflexão, partilha e construção conjunta em torno dos desafios atuais e futuros na área dos comportamentos aditivos e dependências, bem como na promoção da saúde e do bem-estar. Ao longo destes 30 anos, o percurso do CRI AC tem sido marcado por um forte compromisso com o trabalho em rede, a proximidade às comunidades e a construção de respostas integradas. 

“A intervenção em comportamentos aditivos é um processo que nos desafia a toda hora”, partilhou Paulo de Jesus, ao fazer um balanço dos 30 anos de atividade do CRI AC e ao projetar os desafios atuais e futuros. E continuou, “Fomos criados com a centralidade da substância psicoactiva. Éramos um serviço baseado nas toxicodependências e hoje trabalhamos com todas as dependências sem substância, que todos os dias nos desafiam com novas questões”, explicou, afiançando que “nós temos um passado que nos orgulha e que nos prepara, seguramente, para os novos desafios”. 

Em relação à juventude, o responsável recordou que “somos a região do país mais deprimida do ponto de vista demográfico, mas aquela que tem, ao nível da juventude, os piores indicadores. E, portanto, os jovens vão continuar sempre a ser a nossa prioridade”.

No entanto, há também desafios em relação à população jovem, adulto e idosa. “Temos a problemática das dependências sem substância, com foco nos videojogos e, em particular, nas tecnologias. Temos também alguns problemas ao nível dos comportamentos sexuais de risco, nomeadamente ao nível da pornografia no digital”.

 “Mas temos ainda as questões das raspadinhas, que aqui na nossa região se fazem sentir, que se cruzam com as outras dependências, nomeadamente a questão do álcool e do tabaco”, sublinhou o responsável do CRI AC.

“No Alentejo, na faixa etária, entre os 13 e os 18 anos, ao nível do consumo de tabaco e álcool, os piores números, a nível nacional. Este ano, os dados, alusivos a 2025, vieram-nos dizer que temos que incluir também aqui a questão de uso de ansiolíticos antidepressivos, sem prescrição, o que nos convoca para as questões da saúde mental”, revelou.

 “Portanto, só a partir daqui, temos literalmente uma caixa de Pandora que se abre para dezenas de dezenas de dezenas de desafios”, concluiu Paulo de Jesus.

 

Fonte/Foto: UEvora

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